Continuação da série de artigos iniciada aqui
“[...] qualquer principio de método para intervenção no mundo real precisa conter certos pressupostos acerca de como alguém pode e deve aprender acerca da realidade e acerca da natureza dessa realidade. Isto é verdade se esses pressupostos são formulados explicitamente ou permanecem ocultos. Os projetistas de metodologias sistêmicas. consciente ou inconscientemente incorporam em suas metodologias pressupostos acerca da natureza do pensamento sistêmico e acerca da natureza do sistema social” (Jackson. 1991. p. 18)
As primeiras tentativas de trazer os conceitos do Pensamento Analítico e Sistêmico para o mundo das Organizações ocorreram nas décadas de 1940 e 1950 e consistiam em trazer práticas da engenharia para a formulação de metodologias para projetos, análises de alternativas econômicas e resolução de problemas em organizações humanas. Os principais objetivos eram projetar, otimizar e operar tais organizações.
As primeiras abordagens para se chegar a estes objetivos foram chamadas de abordagens clássicas, onde observamos as seguintes metodologias:
1. Engenharia de Sistemas: Extensão da aplicação da engenharia em complexos formados por partes em interação. Em sua forma original visava, principalmente, projetos físicos e, adiante, foi incluído também na concepção dos modelos dos projetos, visando, sempre, a ótima utilização dos recursos;
2. Análise de Sistemas: Desenvolvido para apoio de operações militares, consiste em um meio de apreciação econômica de todos os custos e as conseqüentes formas de alcançar determinado objetivo. Envolve testes de viabilidade e performance dos requisitos, cuja provisão supostamente irá resolver o problema em exame. Visa economia e desempenho e a concepção de um projeto de Análise de Sistemas envolve:
i. Definição dos objetivos e dos critérios relevantes para decidir entre as opções alternativas e o exame de sua viabilidade em termo de custo e eficiência versus tempo necessário e risco envolvido
ii. Estudo de alternativas melhores e seleção de outras metas, caso as primeiras forem consideradas inconvenientes
3. Pesquisa Operacional: Também desenvolvido para fins militares, é muito parecida com a Análise de Sistemas, porém, enquanto esta está preocupada com questões estratégicas, a pesquisa operacional aplica-se mais em questões tático-operacionais. Utiliza amplamente a técnica da árvore de decisão para avaliar os distintos caminhos que uma decisão pode ter e suas conseqüências. Os projetos, geralmente, tem as seguintes fases:
i. Definição do problema
ii. Construção de um modelo matemático que o represente
iii. Derivação de uma solução do modelo
iv. Estabelecimento de controles sobre a solução
v. Implementação
É claro em nestas definições que supomos que o problema pode ser resolvido estabelecendo-se uma meta e descobrindo, entre várias alternativas possível, aquela que irá satisfazer otimamente este objetivo. Porém sabemos que tais características só podem ser encontradas em problemas típicos de situações estruturadas como, por exemplo, a reestruturação de uma planta industrial, onde a tipificação do problema, procedimentos e métricas de performance são muito claras. Vemos que muitos dos problemas encontrados nas organizações não obedecem a esta fórmula e podemos elencar as seguintes deficiências do pensamento analítico:
• Domínio de aplicação muito pequena, jpa que a maioria das questões administrativas em organizações envolvem situações em que o fim a ser alcançado é, muitas vezes, a parte principal do problema a ser resolvido.
• Tais técnicas não contemplam procedimentos para a resolução de conflitos quanto ao objetivo. Quem terá a palavra final? A pessoa que tiver mais poder?
• A ausência de pressupostos capazes de lidar com o componente humano. Pessoas são partes do sistema? O influenciam externamente? Pessoas são peças?
• Necessidade de quantificação. E os aspectos qualitativos?
No próximo artigo veremos como estas questões levaram a estudos sobre como o Pensamento Sistêmico pode ser aplicado às organizações. Também iremos falar um pouco sobre Gerência de Conhecimentos