Um dos primeiros estudos neste sentido foi o da dupla Katz & Kahn, em 1978, que definiram a organização como algo que possuí objetivos relacionados à função que desempenham no ambiente. Diziam que função e objetivo devem ser tratados a partir dos resultados de seus processos internos e não dos objetivos de seus líderes. Podemos dizer, baseados neste estudo, que uma empresa desenvolvedora de software não quer “fazer o melhor software, que se encaixe aos objetivos e processos do cliente”, como é definido em sua visão, mas que ela faz o melhor software por decorrência de seus processos de produção. Os autores também definem que a perpetuação de uma organização só é possível através da constante renovação de seu fluxo energético central, resultado de cada ciclo do processo. Podemos então, definir o sistema desta organização como um sistema aberto, com as seguintes características:
1. Entrada de energia: Importação de energia do meio externo;
2. Ganho: Resultante do processo de transformação das entradas energéticas do sistema;
3. Saída de energia: Exportação de energia para o ambiente;
4. Sistemas como ciclo de atividade: A saída é a própria fonte de energia para os próximos ciclos de atividades;
5. Entropia Negativa: Os sistemas sobrevivem obtendo mais energia do que gastam;
6. Entrada de informação, realimentação negativo e o processo de codificação: Sistemas selecionam e codificam informações do ambiente para decidir ações de controle e correção
7. Estado estacionário: Sistemas abertos devem manter seus estados, apesar da contínua importação e exportação de energia para o ambiente
8. Diferenciação: O padrão inicial tende a ser substituído por funções especializadas, aumentando a diferenciação e a elaboração do sistema;
9. Equifinalidade: A capacidade de alcançar o mesmo objetivo final a partir de diferentes condições iniciais e via distintos caminhos.
Nestas características gerais do Sistema, podemos dizer também que temos os seguintes subsistemas:
a. Produção: Subsistema relacionado com o trabalho feito, com o ganho da empresa;
b. Suporte: Obtenção de entradas e disposição de saídas;
c. Manutenção: Assegura a adequação das pessoas em seus determinados papeis;
d. Adaptativo: Assegura respostas adequadas do sistema em relação à variações do ambiente;
e. Administrativo: Direciona, coordena e controle os outros subsistemas e atividades através de vários mecanismos regulatórios.
Diversos outros estudos complementam esta visão sistêmica das organizações e nos colocam diversos outros conceitos que visam agregar o conceito de totalidade e interdependência do sistema com o ambiente. É importante lembrar que a Sistemas sempre exibem alguma característica que nenhuma de suas partes possuí (“o todo é maior que a soma das partes”) e que Sistemas, embora possam ser vistos como constituídos de estruturas, funcionalmente são todos indivisíveis e perdem suas propriedades quando separados.
Assim, entraremos no próximo artigo, na discussão sobre como o pensamento é passado e perpetuado. Teremos, assim, uma introdução sobre o tema Gerencia de Conhecimento.